Conan Doyle faz 150 anos
2009-05-22
Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes, nasceu há 150 anos. Holmes, esse, é alguns anos mais novo: a primeira história com o mais famoso detective de sempre foi publicada em 1887, no "Beeton's Christmas Annual".
Conan Doyle era médico de profissão, e podemos agradecer à falta de clientes o tempo que pôde dedicar à escrita. Até à sua morte, saíram 56 contos (publicados na revista Strand) e quatro romances de Sherlock Holmes, sempre acompanhado do seu amigo e assistente Watson, o homem pragmático perante o qual o brilho do intelecto de Sherlock se tornava ainda mais notável. Conan Doyle tentou matar o seu herói em 1893, em The Final Problem - queria dedicar-se à escrita de livros históricos - mas por essa altura o êxito já era tanto que o público exigiu o regresso de Sherlock Holmes, ressuscitado depois de uma queda em que morrera também o seu inimigo maior, o Dr. Moriarty.
Ouça neste vídeo um excerto de O Signo dos Quatro, onde Holmes se define como detective, acompanhado de ilustrações da época - de Sydney Paget, para a revista Strand.
A restante obra de Conan Doyle é muito menos conhecida. A par de panfletos políticos, de obras históricas, de vários contos de mistério (com múmias assassinas, fantasmas e outras assombrações), é de destacar The Lost World, um romance de ficção científica no qual um grupo liderado pelo professor Challenger encontra, na Venezuela, um local onde sobrevivem animais pré-históricos, incluindo dinossauros. Michael Crichton retomou esta história na sequela de Jurassic Park.
Sherlock Holmes, o detective infalível
Holmes não foi o primeiro detective protagonista da literatura (antes dele, já Edgar Allan Poe, de que se comemoram em 2009 os 200 anos, criara C. Auguste Dupin), mas a sua personalidade excêntrica e os seus métodos colocaram-no rapidamente num lugar à parte. Apresentando-se como "detective consultivo", deslindava os seus casos através de um poder de observação cirúrgico, a que aplicava depois um raciocínio indutivo que lhe permitia extrair conclusões com um alcance muito maior que todos em seu redor - sobretudo, muito melhor que a polícia e outros investigadores oficiais.
Tudo isto, é claro, sem a parafrenália tecnológica das séries de criminologia actuais. "A dedução elevada à categoria de ciência exacta", nas palavras de Watson, que narra a maioria das suas aventuras: elementar, mas metódico, infalível. Da análise de um sapato, por exemplo, Holmes saberia dizer qual a profissão, situação económica, local de residência e até relações pessoais de um cliente. "A partir de uma gota de água, alguém com raciocínio lógico poderia inferir a existência do oceano Atlântico ou do Niagara, sem ter visto nenhum deles", diz-nos em Um Estudo em Escarlate.
Mas Holmes era também um homem de acção - um especialista do disfarce, que em várias histórias fazia excursões nocturnas e lutava corpo a corpo com os seus inimigos. Era, além disso, perito em química, apreciador de violino, utilizador regular de drogas, e fumador de cachimbo. Um cavalheiro, portanto.
Adaptações
A popularidade da personagem levou a que se fizessem várias adaptações para teatro, televisão e cinema. Uma das mais célebres encarnações de Holmes foi a do actor Jeremy Brett, na série As Aventuras de Sherlock Holmes, produzida pela Granada Television de 1984 a 1994. Para o final de 2009 prevê-se a estreia do filme de Guy Ritchie, cujo trailer já está disponível online.
Edições portuguesas
Em Portugal, as obras de Conan Doyle foram publicadas pela Livros do Brasil, inicialmente na colecção "Vampiro Gigante", depois integradas nas colecções «Livros de Bolso - Série Clube do Crime» e «Obras de Arthur Conan Doyle»; e ainda pela Europa-América e pela Leya (que lançou recentemente, na colecção BIS, o volume "Aventuras de Sherlock Holmes").
Veja também
Algumas sugestões de livros policiais e de mistério.
Site do museu Sherlock Holmes de Baker Street.
Site de The Sherlock Holmes Society of London.
Obras de Conan Doyle no Projecto Gutenberg.
Festa do Livro
Obras do catálogo do Museu do Oriente a preços especiais - para visitar de 20 de Novembro a 6 de Dezembro.
Sugestões
As caricaturas de Augusto Cid traçam um retrato cáustico sobre os tempos mais recentes.
