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Entrevista "Os Meus Livros" a Rui Cardoso Martins:  "Se Deus existe é uma má pessoa"

Entrevista "Os Meus Livros" a Rui Cardoso Martins: "Se Deus existe é uma má pessoa"

2009-09-29

A revista "Os Meus Livros" publica, na edição de Outubro, uma entrevista com Rui Cardoso Martins, autor de “Deixem Passar o Homem Invisível”. Leia aqui, em antecipação, um excerto.

“Deixem Passar o Homem Invisível” coloca homens debaixo do chão para questionar a esperança e enaltecer o poder do amor. E das palavras. Ao segundo romance, Rui Cardoso Martins viaja numa Lisboa subterrânea para se aventurar em voos mais altos.

Entrevista João Morales
Fotos João/ Pinedrifts


No início da acção António, um cego, e João, uma criança, escuteiro, são engolidos pelo esgoto. Todo o percurso deles, tentando encontrar uma saída, fez-me recordar o Inferno de Dante, descendo em círculos. Eles vão descer ao Inferno?

A imagem é adequada. Não só o Inferno de Dante, é uma imagem clássica, o herói que vai tentar a redenção, a salvação da sua amada, lá em baixo... e é um pouco metafórico das pessoas quando estão em sofrimento. É um pouco a descida ao rio dos infernos, a Cloaca Máxima de Roma, a ideia de catacumba, o confronto entre luz e escuridão...

Não deixa de ser irónico, um cego à procura da luz...

É uma ideia que está muito presente em todos os cegos, nem que seja de uma luz de esclarecimento, de compreensão do mundo. Este cego já viu, perdeu a visão e ficaram algumas coisas. Ele tem uma noção do que é o mundo.

Isso é quase platónico...

Sim, mas ele toca os objectos e, de certa forma, vê-os. De uma maneira mais física, mais táctil, mais olfactiva. Os objectos existem, não são sombras o que ele vê. Os cegos utilizam muito a palavra ver, não há só a visão dos olhos.

Ao longo da narrativa vamos encontrando algumas críticas à fé, à religião, aos milagres, às receitas infalíveis. E o Ser Humano, qual é o seu papel na decisão do seu próprio destino?

Acho que essa é a grande questão da Humanidade. É um papel muito importante, o da liberdade individual, da amizade, do amor. O Ser Humano nunca está sozinho se tiver um amigo e se tiver uma ética. Não se deixar transformar num escravo da fé, da política, do dinheiro, das ditaduras... o papel do Ser Humano é o papel de se fazer Homem. Acredito que a fé a religião têm efeitos positivos, mas não quando se transformam em embustes. E em todas as religiões as pessoas com deficiências físicas são vistas como uma franja a considerar, vão logo tentar sacar mais uma alma. Há coisas inexplicáveis, mas não há milagres. Este cego percebe que não vale a pena consumir a vida toda à espera de um milagre. O que não quer dizer que não seja bom continuar a acreditar nele...




Leia a entrevista completa na edição de Outubro da Os Meus Livros


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